Cultivos Orgânicos e Convencionais chegam a vocês graças à Agricultura Moderna

Por Dr. Robert T. Fraley, Colaborador
Vice presidente Executivo e Diretor de Tecnologia da Monsanto

Como pioneiro em tecnologia de cultivos geneticamente modificados, frequentemente me fazem perguntas sobre o que realmente penso sobre a agricultura orgânica… ou se pessoalmente compro produtos orgânicos. Meus pensamentos e respostas poderiam surpreender vocês – primeiro, porque ser “pro-GMO” não me faz “anti-organico”. Deixem me explicar

Acredito que a verdadeira força do nosso sistema de produção agrícola nos Estados Unidos é a bem-sucedida coexistência de sistemas de produção convencionais, biotecnológicos e orgânicos, para satisfazer as diferentes oportunidades de mercado e os interesses dos consumidores. Todos deveríamos celebrar o feito de que podemos escolher entre uma variedade de propostas e de que contamos com o fornecimento de alimentos mais seguro e acessíveis no mundo.

Também tenho um tremendo respeito pelos produtores orgânicos, a quem considero extremamente trabalhadores. A produção orgânica representa aproximadamente o 4% das vendas totais de alimentos nos Estados Unidos ou menos de 1% da produção dos cultivos dos Estados Unidos. A baixa taxa de adoção se relaciona com a natureza desafiante e frequentemente intensiva em mão de obra da produção orgânica, já que os produtores desse tipo de sistema têm menos ferramentas e menos diversidade para controlar doenças e insetos; as regras de produção orgânica impedem que os produtores utilizem fertilizantes sintéticos, certos pesticidas e sementes geneticamente modificadas. Com uma plantação cuidadosa e uma preparação extensiva, os agricultores orgânicos podem e de fato conseguem enfrentar esses desafios. No entanto, as vezes as doenças e as pragas evoluem ou surgem rapidamente e dizimam os cultivos, tendo como resultado uma perda de alimentos. Em consequência, os rendimentos dos cultivos orgânicos das colheitas principais costumam ser um 30-40% menores do que os cultivos convencionais. Muitos produtores de alimentos orgânicos já me disseram; “Necessitamos novas soluções para o controle de doenças se vamos continuar abastecendo o mercado orgânico”.

Apesar desses desafios de produção, os produtores orgânicos estão tendo sucesso no mercado porque alguns dos produtores mais sofisticados no mundo estão abordando alguns dos maiores desafios da produção orgânica com a ciência –e outras ferramentas centrais da Agricultura Moderna- permitindo a eles oferecer um produto mais seguro e consciente aos varejistas durante todo o ano. Tomemos um momento para avaliar os grandes desafios que enfrentam os agricultores orgânicos e como a ciência e a tecnologia estão os ajudando a enfrentar esses desafios:

Regulamentos Orgânicos Polêmicos

As regras orgânicas se baseiam em alguns princípios gerais relacionados com o que é “natural” e o que é sintético. Os detalhes do que está ou não permitido não estão determinados por uma regulamentação com base cientifica, mas sim por um processo politico impulsionado pela defesa e pela ideologia. Uma mudança nas regras pode resultar em algumas lacunas importantes na produção e em interrupções na oferta ao consumidor.

Um exemplo é o debate do uso ou não uso do solo como meio para o cultivo (por exemplo, se pensamos na lã de rocha, fibra de cocô, etc.). Muitos dos produtores que produzem em estufas de alta tecnologia cultivam produtos orgânicos em meios que não são solos com um sistema de gotejamento que inclui fertilizantes orgânicos. Eliminar sua capacidade para serem certificados como orgânicos resultaria numa redução do fornecimento de produtos aos consumidores ao longo de todo um ano, enquanto que favoreceria aos produtores que utilizam métodos de produção de baixa tecnologia. Desta maneira, os produtores orgânicos que permitem um fornecimento mais constante com o uso de tecnologia estão fazendo um esforço extraordinário defendo a ciência que apoia seus métodos.

Segurança dos Alimentos

Os Centros para o Controle de Doenças (CDC, pelas suas siglas em inglês) calculam que mais de 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos adoecem, e que morrem alguns milhares por causa das doenças transmitidas por alimentos todo ano – e quase a metade dessas doenças são causadas por patógenos em produtos frescos.

Devido a que não há uma etapa para eliminar patógenos no processamento de frutas e hortaliças frescas, os produtores devem ter uma preocupação extrema para evitar a contaminação e a contaminação cruzada. Para os produtores orgânicos, esse desafio é maior porque as opções de fertilizantes não sintéticos costumam incluir esterco animal compostado, que pode ser uma fonte de contaminação. Alguns dos maiores provedores de produtos orgânicos estão utilizando soluções baseadas na pesquisa e na ciência para garantir um fornecimento de alimentos orgânicos seguros. Estes incluem o uso de ferramentas genéticas avançadas para identificar, rastrear e eliminar as fontes de contaminação. O resultado é um numero menor e mais específicos de alimentos, para que não se veja afetada a confiança do consumidor nos produtos e o que é mais importante, menos consumidores adoeçam ou morram.

Informação inexata a respeito dos Pesticidas

Vocês estarão se perguntando… mas o quê acontece com os pesticidas? Não existem cultivos convencionais cheio deles, e cultivos orgânicos sem eles? Não. A distinção entre pesticidas orgânicos e pesticidas convencionais não é que um os use e que o outro não; tanto a agricultura orgânica como a convencional os usa. A distinção está em que tipo de pesticidas são utilizados.

Aos agricultores convencionais, se permite que eles apliquem uma combinação de pesticidas naturais e sintéticos de acordo com os requisitos de rotulagem da Agencia de Proteção Ambiental (EPA). Os produtores orgânicos estão autorizados a utilizar os produtos químicos naturais e os sintéticos que foram aprovados no marco do Programa Nacional Orgânico, administrado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Não é surpreendente que exista uma considerável sobreposição nos pesticidas utilizados pelos dois programas de cultivo como mostra esse excelente artigo.

Vocês se surpreenderiam ao saber que muitos produtores orgânicos são parte de uma coalisão para dirigir a propaganda do informe do Grupo de Trabalho Amniental Dirty Dozen. A Aliança para a Alimentação e a Agricultura publica informação cientifica e embasada em risco sobre os resíduos de pesticidas nos produtos. Sua pagina web inclusive proporciona uma calculadora para que os consumidores entendam os riscos mais graves que enfrentam os resíduos de pesticidas, baseados na ciência da toxicologia. Por que os produtores orgânicos fariam isso? Bom, isso nos leva ao próximo ponto.

O Marketing Orgânico que afugenta ao público de uma dieta saudável

Utilizando o método cientifico, Britt Burton-Freeman do Instituto de Tecnologia de Illinois liderou uma equipe de pesquisadores para estudar os impactos das diferentes mensagens de marketing orgânico. O resultado? As mensagens de marketing que promovem os produtos orgânicos depreciando os produtos convencionais são males para a saúde pulica, especificamente para as pessoas pobres e de classe trabalhadora. Quando se apresentam com mensagens depreciativas, as pessoas dessa categoria geralmente respondem simplesmente comendo menos produtos. Por outro lado, as mensagens positivas e precisas demonstram aumentar a confiança publica nos produtos orgânicos e convencionais.

Enquanto que os produtores orgânicos enfrentam um único conjunto de desafios, em muitos sentidos seus métodos não são tão diferentes dos usados pelos produtores convencionais. Por exemplo, os métodos de breeding molecular baseados em dados de sequencia genômica permitem aos produtores tanto orgânicos como convencionais identificar e combinar novas combinações de genes para melhorar a nutrição ou proporcionar melhores defesas contra as pragas das plantas. Tanto os produtores orgânicos como os convencionais estão utilizando tratamentos de semente microbianas (probióticos para plantas) para melhorar a saúde do solo ou se proteger contra o dano de insetos. Muitos produtores convencionais estão adotando praticas da agricultura orgânica como o uso de cultivo de cobertura ou rotação de cultivos para ajudar a controlar as ervas daninhas e reduzir a erosão. As ferramentas de agricultura de precisão como imagens de satélite, drones, sensores em campo, tratores controlados por GPS e incluso colheitadeiras automatizadas de alface, estão sendo amplamente adotadas por produtores orgânicos e convencionais. A maior diferença entre eles é que os produtores convencionais são capazes de utilizar as melhores ferramentas que a ciência tem para oferecer, o que os permite produzir mais cultivos em uma menor superfície de terra – o que é em ultima instancia melhor para o meio ambiente.

E quanto ao que eu pessoalmente compro? Se posso escolher, compro convencional. Agora… não sou fanático disso…Não vou recusar um acompanhamento de vegetais orgânicos no menu de um restaurante ou pedir ao garçom que devolva a cozinha o frango de granja. Sei que tanto os alimentos convencionais como os orgânicos são seguros e estou orgulhoso do fato de saber que temos um fornecimento seguro de comida acessível. Também me alegro de que as pessoas tenham opções. Esse é o jeito americano, o sistema de livre mercado. Se vocês escolhem produtos orgânicos, compreendam que a oferta, a qualidade e a segurança crescente dessas opções não provêm de uma rejeição da Agricultura Moderna, mas sim dos produtores que adotam o processo para enfrentar os desafios propostos pelas regras orgânicas.

Fonte:
O artigo “Organic and conventional crops brought to you by Modern Agriculture” foi originalmente publicado em huffingtonpost.com

Artigos Relacionados