Minha mãe me inspirou a seguir carreira no campo

Conheça as histórias de Lisane, Arminda e Roberto que, movidos pelo amor de suas mães pela lavoura, construíram carreiras de sucesso. Com muita garra, coragem e dedicação, todos os dias essas mães enfrentam os desafios do campo e até acabam inspirando seus filhos a seguirem o mesmo caminho.

Lisane Castelli é Representante Técnicas de Vendas na Monsanto do time de Crop Protection e trabalha no Estado de Goiás, no campo. Gaúcha de Getúlio Vargas/RS e filha de pais agricultores, seguiu a carreira no campo com naturalidade. Desde cedo, com cerca de 14 anos, já dirigia tratores nos 30 hectares da família e vivia o cotidiano da lavoura, ajudando os pais. Sua mãe, que era o braço forte de seu pai sempre lhe disse: “trabalhe num negócio que produza comida que você sempre vai ter emprego”. A mãe de Lisane, Dona Iraci, ainda, foi o símbolo de força, persistência e resiliência, principalmente quando seu marido, Adair Augusto Castelli, pai de Lisane, faleceu em 2000 – aí Dona Iraci viu-se tomando a frente do negócio. “Ela teve que se levantar e levantar toda a família”, conta Lisane, que tem três irmãos. A mãe também sempre a apoiou na carreira, seja confortando em momentos difíceis, seja ajudando a cuidar de Lucas, 2 anos, e Pedro, 9 anos, filhos de Lisane. “Não se importe com o que os outros digam, o que importa é o que você faz”, é o que Dona Iraci dizia para Lisane, que teve que enfrentar o machismo do campo no começo da carreira. Já são 17 anos trabalhando na Monsanto e Lisane sente uma grande evolução no agronegócio, em relação à igualdade de gêneros. Ela sempre foi alvo de piadas machistas e foi assediada algumas vezes, mas lá no início da carreira. Ela já vê menos problemas no campo hoje em dia: “as empresas já possuem políticas para incentivar a contratação de mulheres, como a própria Monsanto faz. Aumentar a presença de mulheres no campo ajuda a fazer com que os homens entendam que, profissionalmente, as mulheres têm muito com o que contribuir. A gente escuta mais, tem mais paciência, conseguimos ter mais compreensão e isso faz diferença no negócio. Os homens já dão mais credibilidade para as mulheres no agronegócio, mas ainda há um caminho para percorrer”. Além disso, Lisane cita as campanhas de conscientização e também as leis que ajudam a proteger mulheres, principalmente contra agressões. Quando perguntamos a ela sobre como é a rotina de mãe e RTV, Lisane desabafa: “às vezes, chego em casa e penso: nossa, como o Lucas cresceu! Como eu viajo muito, o Pedro, filho mais velho, me diz quando ligo em casa e falo ao telefone: “mamãe, quando volta? Você precisa entender que eu preciso encostar em você” – me corta o coração quando ele repete isso. No geral, Lisane considera que ambos entendem sua rotina, principalmente porque seu marido, o engenheiro agrônomo Ivan está sempre presente. Ainda assim, Pedro já fez o questionamento: “mamãe, em todos os filmes que eu assisto, é o pai que viaja. Por que aqui em casa é você que viaja?”. Lisane respondeu: “é porque os filmes que você tem visto são velhos e antiquados”.

Maria Arminda Ciprandi, ou simplesmente Arminda, trabalha na área de Regulamentação da Monsanto, há quase 23 anos. Tanto tempo de casa e tanto tempo longe de casa: sua família é do Rio Grande do Sul e hoje vive em Ibirubá, e Arminda conta que, desde que saiu de casa, na época, para se mudar para São Paulo, sempre contou com o apoio de sua mãe de coração, Dona Teresinha: “vai, segue o seu caminho”, são as palavras dela para a filha, a cada mudança. Hoje, Arminda mora em Brasília e vive em ponte aérea para visitar a família no Rio Grande do Sul e o marido, Nilton, em Santa Catarina. Ele é Engenheiro Civil e tem restaurante em Santa Catarina e ela conta que o relacionamento deles sempre foi à distância. Dona Teresinha conhece boa parte do universo profissional que Arminda vive. O meio rural sempre foi o convívio natural da família. De geração para geração, Arminda vê como natural ter seguido o caminho da agronomia como meio profissional, já que ela cresceu com contato com o campo. Através de sua mãe teve o convívio com o meio agrícola desde cedo, além de ser o espelho para a força que tem hoje. “Eu sei que o agronegócio sempre foi e ainda tem o predomínio de profissionais do sexo masculino, apesar do cenário já ter mudado com o tempo. Quando entrei na faculdade, éramos duas mulheres em meio a homens, mas nunca tive dificuldades”, ela conta. “Eu tenho uma personalidade forte, eu não dou muita bola para o que os outros falam e defendo minhas idéias, e quando sofri algumas resistências, superei. Minha mãe sempre me dizia para ser o que sou e é assim que encaro quando surgem desafios na minha frente. As oportunidades aparecem quando você é o que é”, complementa, ainda dizendo que “se me perguntam ‘tu achas que eu deveria ser agrônoma?’, eu respondo ‘com certeza’”. Arminda foi criada por duas mães, a biológica (Namyr) e a de coração, como ela mesma diz. Os pais biológicos, já falecidos, tiveram o campo e a agricultura como parte da fonte de renda. Sua mãe de coração deixou o campo para estudar e ajudar a criar as “filhas de coração”, pois Arminda tem duas irmãs que hoje moram em Ibirubá. Estudou Pedagogia e Direito e atuou como Pedagoga, mas acabou voltando para o campo. Lá desde 2007, aos 71 anos, come o que planta, produzindo frutas, hortaliças e criando galinhas. Ainda, cultivando muitas flores, folhagens e oliveiras. O que parece trabalho para alguns, para Dona Teresinha é diversão. “Minha mãe é um exemplo pra mim, meu ponto de referência, meu braço direito, meu porto seguro, meu incentivo e minha motivação” diz Arminda. “E um dia vou fazer como ela. Um dia vou voltar pra casa, pro meio rural. Pra lavoura. É um dos meus sonhos”.

Roberto Cristiano Cella é funcionário da Monsanto há mais de 6 anos. Engenheiro agrônomo, ele é apaixonado pelo que faz – principalmente porque toda a vida dele foi ligada ao agro, já que nasceu e foi criado em uma cidade pequena e totalmente agrícola. Desde criança, ele já queria ser agrônomo. Sua família tem grande participação nisso: Mara Elenice Marodin Cella, ou simplesmente Dona Nice, sempre trabalhou na área rural com muito esforço e dedicação, cuidando, ainda, dos três filhos. Hoje, dona Nice é só orgulho. Mas foi um longo caminho a ser percorrido, que passou por momentos em que ambos, mãe e filho, precisaram se superar. “Como comecei minha carreira longe de casa, com apenas 21 anos, ela foi muito importante para eu conseguir segurar a barra. Eu sentia no início que ela sofria muito, preocupada com meu bem-estar, mas sempre se manteve forte e me apoiando, enviando forças para seguir minha caminhada”, conta Roberto. A distância, no entanto, não afetou a relação com sua mãe. Mesmo vivendo longe um do outro, Roberto conversa com dona Nice pelo menos de 2 a 3 vezes por semana: “sempre fomos muito ligados e eu divido os principais acontecimentos da semana com ela. Quando estamos juntos, nosso programa é tomar chimarrão e colocar o papo em dia”. A referência que Roberto tem de sua mãe, como símbolo de força, reflete na visão que ele tem do mundo profissional hoje: “os homens devem parar de ver as mulheres como mais frágeis na atuação em campo”, diz ele. Na prática, ele vê o cenário mudando e conta que, em sua equipe, dos 9 profissionais que ele coordena, 5 são mulheres, que fazem um excelente trabalho. “Vejo que os próprios produtores rurais buscam preparar suas filhas para serem suas sucessoras, não mais apenas os filhos. Isso faz com que eles mesmos busquem essa igualdade”, ele complementa. Além do exemplo no campo, Roberto tem outro exemplo em casa: “na família da minha esposa, por exemplo, os 3 filhos seguiram o caminho da mãe, que é advogada. Acredito que hoje o estudante busca realização pessoal na profissão que escolhe, pegando referência na profissão de ambos os pais e das pessoas que fazer parte do seu convívio”. Entre bolinhos de chuva, bolos, pastel, chimarrão e muito amor, que dona Nice sempre tem em casa, o que fica para Roberto é o exemplo que sua mãe sempre foi para ele como pessoa. “Minha mãe é uma mulher maravilhosa, guerreira, forte e amorosa ao mesmo tempo, com um coração enorme e que sempre busca trazer alegria e união para nossa família. Tenha certeza que tudo o que conquistei até hoje, o homem que sou, foi graças a sua ajuda e dedicação”.

Artigos Relacionados